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29 dezembro 2008
 
Em 1572, uma “nova estrela” surgiu no céu - espantou astrónomos e destruiu antigas teorias acerca da natureza do Universo.

A explosão de supernova observada por Tycho Brahe foi, agora, novamente observada por cientistas do Instituto Max Planck. Com a ajuda de telescópios localizados no Hawai (EUA) e em Espanha, ténues ecos de luz provenientes da explosão original e reflectidos por poeira interestelar foram analisados e o mistério da supernova de 1572 ficou, finalmente resolvido.

No início de Novembro de 1572 uma brilhante “nova estrela” apareceu no céu, na região da constelação de Cassiopeia. Esta “estrela” era tão brilhante, que era visível durante o dia.

O grande astrónomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) foi um dos muitos que ficou fascinado com este acontecimento, e relatou com detalhe a sua posição e características no livro “De Stella Nova”. Os seus cálculos revelaram que a “nova estrela” se encontrava para lá da Lua - o que contradizia a tradição Aristotélica de que tais estrelas eram imutáveis. Estas conclusões foram fundamentais para o futuro trabalho de Kepler, Galileu, Newton e outros.

“A supernova de 1572 foi um marco na história da ciência”, afirma Oliver Kraus, do Instituto Max Planck para Astronomia (Heidelberg, Alemanha). “Acabou por levar ao abandono da teoria da imutabilidade dos céus. No entanto, a sua classificação tem sido controversa, pois a determinação exacta do tipo de supernova em causa não foi ainda possível pois não existe a informação espectroscópica necessária.”

Tendo por base relatos históricos, a supernova de Tycho Brahe [SN1572] foi classificada como sendo do tipo Ia. Este tipo de supernova ocorre quando uma estrela anã branca passa por uma explosão termonuclear de grandes dimensões. Material da estrela é ejectado a velocidades de quase 29.000 quilómetros por segundo, ou seja, um décimo da velocidade da luz! Os detritos da supernova expandiram-se ao longo de 400 anos, formando uma nuvem de poeira com um diâmetro superior a 20 anos-luz. Mas a natureza do evento explosivo, que esteve na origem desta remanescente, continua por desvendar.

A equipa do Dr. Krause conduziu um exame post mortem a esta explosão, ao colocar uma série de telescópios à procura dos ecos de luz provenientes do evento original.

A explosão de supernova funciona como uma ‘lâmpada cósmica’ - emitindo luz em todas as direcções. A primeira onda de luz atingiu a Terra em 1572, e foi observada por Tycho Brahe, mas hoje algumas ondas de luz provenientes da explosão continuam a chegar a nós indirectamente, reflectidas nos “espelhos” das partículas de poeira interestelar. Estes “ecos de luz” contêm uma impressão fóssil da explosão supernova original, e são usados pelos astrónomos para olhar para o passado. Assim é possível perceber o que aconteceu neste catastrófico evento cósmico.

A equipa de cientistas conseguiu detectar um espectro óptico da supernova, próximo da sua luminosidade máxima, usando para tal os telescópios do Observatório de Calar Alto  (Espanha) e de Mauna Kea (Hawai, EUA). “Descobrimos que o espectro é semelhante ao das explosões de supernova do tipo Ia, que representa a maior parte de supernovas que detectamos. Agora estamos perante uma excitante oportunidade, que consiste em usar outros [ecos de luz] para construir um modelo espectroscópico a três dimensões da explosão.

Estes novos resultados também lançam novas pistas para resolver questões relacionadas com a origem das supernovas do tipo Ia. Um dos actuais modelos aceite diz-nos que a estrela anã branca acumula matéria (por acreção), proveniente de uma estrela companheira até que, num certo momento, atinge uma massa crítica que desencadeia uma explosão termonuclear; um outro modelo propõe que a acreção de matéria ocorre devido à fusão de duas anãs brancas.

Como a supernova de 1572 pertence à Via Láctea, ela é uma excelente candidata a futuras  e mais detalhadas observações. “A técnica agora usada permitirá aos astrofísicos caracterizar outras remanescentes de supernova na nossa galáxia e nas galáxias vizinhas, o que poderá clarificar a relação entre os detritos de uma supernova e os seus mecanismos de explosão. Finalmente é provável que informação precisa acerca da frequência de diferentes géneros de supernova na nossa galáxia e na sua vizinhança nos esclareçam sobre a história da formação estelar e evolução química deste nosso grupo local galáctico.” - afirmou Andrea Pastorello da Universidade de Queens (Belfast, Reino Unido).

Para mais informações:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/7762939.stm
http://www.caha.es/a-blast-from-the-past-astronomers-resurrect-16th-century-supernova.html

1. Gravura do livro Astronomie Populaire, que mostra Tycho Brahe a observar a supernova pela primeira vez. (©Astronomie Populaire - Camille Flammarion (1872))
2. Gravura do livro de Tycho Brahe De Stella Nova (1573), que ilustra a localização da nova estrela. (©De Stella Nova - Tycho Brahe (1573))
3. A remanescente de supernova de 1572. (©Calar Alto Observatory, Spitzer (NASA) e Chandra (NASA))