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28 julho 2006

No mar que é o nosso Universo existem imensas ilhas, todas elas diferentes e interessantes: as Galáxias. O VLT Very Large Telescope, do ESO, observou três destas ilhas cujas formas curiosas testemunham um passado turbulento e uma vida agitada.

A galáxia NGC 908 (figura 1) encontra-se a 65 milhões de anos-luz de distância, na direcção da constelação da Baleia (Cetus). É uma bonita galáxia espiral, descoberta em 1786 por William Herschel. Esta é uma galáxia starburst, ou seja, é uma galáxia que está a passar por uma fase de intensa produção de estrelas. Nos seus braços espirais é possível observar vários enxames de estrelas jovens e de grande dimensão. No passado recente detectaram-se na galáxia duas explosões de supernova: uma em 1994 e outra em Maio de 2006.

A galáxia, cujo diâmetro é de 75.000 anos-luz, tem braços espirais desnivelados e espessos, sendo que o que se encontra mais à esquerda parece estar a ser puxado para cima. Isto parece sugerir que há relativamente pouco tempo, a NGC 908 pode ter tido um encontro com uma outra galáxia, embora actualmente não seja visível nenhuma outra galáxia na região.

A segunda galáxia observada não pertence ao famoso catálogo NGC. É conhecida por ESO 269-G57 (figura 2) e faz parte do catálogo ESO/Uppsala, que foi elaborado na década de 1970 e da qual fazem parte cerca de 15.000 galáxias descobertas pelo telescópio ESO Schmidt, que foi desmantelado em 1998. A ESO 269-G57 também é uma galáxia espiral, bastante simétrica, que faz parte de um enxame de galáxias. Encontra-se na direcção da constelação do Centauro (Centaurus), a 155 milhões de anos-luz de distância.

Na imagem é claramente visível um "anel" interior constituído por pequenos braços espirais fortemente ligados uns aos outros. Este anel encontra-se rodeado por dois grandes braços espirais exteriores. Neles podemos ver vários objectos difusos e azulados: são regiões de formação estelar. A ESO 269-G57 estende-se ao longo de 4 minutos de arco no céu, o que corresponde a um diâmetro de 200.000 anos-luz.

Das três galáxias observadas pelo VLT, a mais atribulada é a NGC 1427A (figura 3). A galáxia NGC 1427A é do tipo irregular, estende-se por 20.00 anos-luz e encontra-se a 60 milhões de anos-luz de distância, na direcção da constelação do Forno (Fornax). Esta galáxia é muito parecida com a vizinha da Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães. A NGC 1427A está a "mergulhar" em direcção ao enxame de galáxias de Fornax, a uma velocidade de 600 quilómetros por segundo, o que justifica a sua forma de seta. Ao mover-se tão rapidamente a galáxia comprime o gás que existe entre as galáxias do enxame e isto desencadeia, na própria galáxia, o nascimento de novas estrelas.

Usando esta e outras observações do VLT, o astrónomo Isken Y. Georgiev do Instituto Argelander de Astronomia de Bona (Alemanha) e os seus colegas, conseguiram detectar 38 enxames globulares de estrelas que terão cerca de 10 mil milhões de anos de idade. Eles conseguiram também inferir que NGC 1427A se encontra à frente (a cerca de 10 milhões de anos-luz de distância) de uma das galáxias mais importantes do enxame de Fornax: a galáxia elíptica NGC 1399. Isto não promete um futuro calmo para a NGC 1427A é possível que a galáxia se desintegre e disperse o seu material pelas regiões que a envolvem. Perto da NGC 1427A, mas 25 vezes mais distante, encontramos uma bonita galáxia espiral (em cima, à esquerda da galáxia NGC 1427A).

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2006/pr-27-06.html

1. A galáxia starburst NGC 908. (©ESO FORS/VLT)
2. A bonita galáxia espiral ESO 269-G57. (©ESO FORS/VLT)
3. A galáxia irregular NGC 1427A. (©ESO FORS/VLT)