Mapa do Site
Contactos
Siga-nos no Facebook Siga-nos no Twitter Canal YouTube Siga-nos no Google+
3 julho 2006

Um dos alvos preferidos dos astrónomos são as supernovas do tipo Ia. Estas supernovas são importantes em cosmologia, em particular no que diz respeito à aceleração da expansão do Universo e à existência da "energia escura", que poderá ser um dos constituintes do Universo.

Na busca de supernovas, os astrónomos usam com regularidade o VLT - Very Large Telescope do ESO. Desta vez o alvo das observações foi um bonito trio de galáxias, "apanhado" em plena interacção. A galáxia MCG-01-39-003 é uma peculiar galáxia espiral, que de um dos lados tem a forma de um gancho, que provavelmente se formou devido a forças de maré, provocadas pela interacção desta galáxia com a sua vizinha, também ela uma galáxia espiral, a NGC 5917. De facto, se olharmos com atenção para a imagem agora obtida pelo VLT, percebemos que a matéria da MCG-01-39-003 está a ser "puxada" pela NGC 5917. Estas duas galáxias encontram-se a 87 mil milhões de anos-luz de distância, na direcção da constelação da Balança.

Também conhecida como Arp 254 e MCG-01-39-002, a galáxia NGC 5917 é cerca de 750 vezes menos brilhante do que os objectos menos luminosos que os nossos olhos conseguem distinguir a olho nu. Foi William Herschel quem descobriu a NGC 5917 em 1835. Estranhamente, Herschel não viu a companheira da NGC 5917, que é apenas 2.5 vezes menos brilhante. No canto inferior esquerdo da imagem, vemos uma outra galáxia, do tipo espiral barrada, que ainda não tem nome e que parece observar de longe a dança cósmica das suas companheiras.

No entanto, a razão porque esta região foi observada agora pelos astrónomos está relacionada com uma estrela que explodiu na vizinhança do "gancho" no ano passado. A supernova, denominada SN2005cf, foi descoberta pelos astrónomos Pugh e Li, com o telescópio autómato KAIT a 28 de Maio de 2005. Observações levadas a cabo posteriormente, com o telescópio de 1.5 metros do Observatório Whipple, revelaram que a supernova é do tipo Ia, cujo material quando foi ejectado, atingiu velocidades de 15.000 quilómetros por segundo (54 milhões de quilómetros por hora).

Após a descoberta da supernova, o grupo ESC European Supernova Collaboration, liderada por Wolfgang Hillebrandt (MPA - Garching, Alemanha), iniciou uma extensa campanha de observação, usando para tal vários telescópio espalhados um pouco por todo o mundo.

Há vários anos que estudos afirmam que o encontro de galáxias e/ou a actividade das galáxias pode desencadear um aumento da formação estelar. Como consequência o número de supernovas nestas regiões será possivelmente superior ao que tem lugar nas galáxias isoladas. No entanto, este cenário seria propício à explosão de estrelas jovens e de grande massa, mas estudos recentes mostram que estes fenómenos podem incrementar o número de estrelas que explodem sob a forma de supernovas do tipo Ia.

Apesar disso, a descoberta de supernovas nas regiões de interacção entre galáxias é sem dúvida algo de extraordinário. Por isso, a descoberta da SN2005cf próximo de uma "ponte" entre a NGC 5917 e a MCG-01-39-003 é um interessante caso de estudo.

A supernova foi observada pela equipa do ESC ao longo da sua evolução: desde 10 dias antes de ter atingido o máximo da sua luminosidade, até um ano depois da sua descoberta. À medida que a supernova vai ficando mais ténue, maior tem de ser o telescópio que a observa - um ano depois da explosão a supernova está 700 vezes menos brilhante do que por na época em que atingiu a luminosidade máxima.

A supernova foi observada com o instrumento FORS1 do VLT, pelo astrónomo Ferdinando Patat, que é um dos membros da equipa de astrónomos liderada por Massimo Turatto (INAF - Pádua, Itália) e, numa fase posterior, pelos astrónomos da Equipa de Ciência do Paranal (Paranal Science Team). O objectivo destas observações foi o estudo das fases finais das explosões de supernova. Estes estágios finais são importantes para perceber a constituição do material que é ejectado na explosão e assim compreender os mecanismos por detrás da explosão e os elementos nela produzidos.

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2006/pr-22-06.html

1. Um trio de galáxias. (©ESO - FORS/VLT)
2. A supernova SN2005cf. (©ESO – FORS/VLT)