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23 março 2006

Embora os astrónomos consigam observar o Universo longínquo, detectando objectos que se encontram a 13 mil milhões de anos-luz de distância, muito há ainda para descobrir acerca da nossa vizinhança mais próxima.

Uma equipa internacional de investigadores acaba de detectar, com a ajuda do VLT (ESO), uma pequena anã castanha companheira da estrela vermelha SCR 1845- 6357AB, a 36ª estrela mais próxima do Sol.

As anãs castanhas não pertencem à classe das estrelas nem à dos planetas, são objectos "intermédios", conhecidos como "estrelas falhadas". A sua massa é inferior a 8% da massa do Sol, ou seja, são tipicamente cerca de 75 vezes maiores do que Júpiter. Não são suficientemente pesadas para produzir no seu interior as reacções nucleares que as fariam brilhar como estrelas.

"Esta anã castanha é importante porque a sua distância é bem conhecida, o que nos permite determinar com precisão o seu brilho intrínseco.", afirmou o investigador Markus Kasper (ESO). "Além disso, através do seu movimento orbital será possível, em apenas alguns anos, determinar com grande certeza o valor da sua massa. Estas propriedades são vitais para compreendermos a natureza das anãs castanhas."

Esta anã castanha foi descoberta com o instrumento de óptica adaptativa NACO SDI (Simultaneous Differential Imager). Este instrumento foi especificamente desenvolvido para detectar planetas extrasolares. A câmara SDI incrementa a capacidade do VLT e do sistema de óptica adaptativa na detecção de companheiras pouco luminosas, que de outra forma não seriam detectadas devido ao brilho intenso da estrela principal. Em particular, a SDI, é capaz de obter informação espectral importante, que pode posteriormente ser usada para determinar a temperatura dos objectos, sem que exista a necessidade de levar a cabo observações adicionais.

Localizada a 12.7 anos-luz de distância, esta anã castanha não é a que se encontra mais próxima do Sistema Solar. Essa honra pertence a duas anãs castanhas que orbitam a estrela Epsilon Indi, localizada a 11.8 anos-luz de distância. No entanto, esta anã castanha tem aspectos singulares pois é uma anã do tipo T: "É uma anã castanha muito fria, com uma temperatura próxima dos 750ºC. É o primeiro objecto deste tipo detectado junto de uma estrela de pequena massa.", afirmou Beth Biller, aluna licenciada da Universidade de Arizona e autora principal do artigo que anuncia esta descoberta. "Possivelmente ela será o objecto da sua classe de temperaturas mais brilhante até hoje detectado, apenas porque está tão próxima."

Esta detecção parece sugerir que, pelo menos na vizinhança do Sol, as anãs castanhas frias "preferem" associar-se a estrelas ou a outras anãs castanhas, pois das 7 anãs castanhas que se encontram a menos de 20 anos-luz do Sol, 5 têm uma companheira. "Este facto tem implicações a grande escala nas teorias de formação de anãs castanhas", afirmou o também investigador da equipa Laird Close (Universidade de Arizona).

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2006/pr-11-06.html

1. Ilustração: O sistema estelar SCR 1845- 6357AB. (©ESO)
2. Imagem do sistema SCR 1845- 6357AB gerada pela câmara SDI. (©NACO-SDI/VLT ESO)
3. Os sistemas estelares vizinhos do Sol. (©ESO)