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17 julho 2006

O telescópio submilimétrico APEX - Atacama Pathfinder Experiment, do ESO, tem vindo a confirmar as expectativas que os cientistas lhe atribuíram, pois a sua sensibilidade e qualidade de imagem não tem precedentes! Na última semana foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics 26 artigos, todos eles baseados nos primeiros resultados obtidos com este telescópio de 12 metros.

Entre as várias descobertas, quase todas elas na área da formação estelar e da astro-química, encontram-se a detecção de uma nova molécula interestelar, a detecção de luz emitida a 0.2 mm por moléculas de Monóxido de Carbono (CO), e ainda de luz proveniente de uma molécula carregada composta por duas formas de Hidrogénio.

Com o APEX e com o telescópio de 30 metros IRAM, foi feita a primeira detecção de uma molécula carregada composta por Carbono e Flúor - o ião CF. Antes desta descoberta apenas uma molécula com Flúor tinha sido detectada no espaço, a molécula HF, que é composta por um átomo de Hidrogénio e por um de Flúor. A recém descoberta molécula, produzida através de uma reacção entre o Carbono e a molécula HF, foi detectada numa região adjacente da Nebulosa de Orion, que é uma das nebulosas moleculares mais activas da nossa galáxia. A detecção desta molécula é importante para que os cientistas percebam a química interestelar do flúor, pois parece sugerir que a molécula de HF está presente em vários locais nas nuvens de gás interestelar.

Também detectada na região de Orion foi luz emitida por CO no comprimento de onda de 0.2 mm. Esta gama de comprimentos de onda curtos são difíceis de investigar, por causa do vapor de água da atmosfera - que atenua o sinal, especialmente na banda do submilimétrico - e também por causa do próprio limite de operação do telescópio. A detecção da molécula de CO em comprimentos de onda deste tipo, muito próximos do limite capaz de ser detectado a partir da Terra, é um fantástico teste à eficiência do APEX.

Luz proveniente da molécula carregada H2D+, molécula composta por Hidrogénio e Deutério, foi detectada em várias nuvens do céu austral. O ião H2D+ é interessante pois, com uma temperatura pouco mais elevada do que a do zero absoluto, é um datador natural de gás frio. Nestas regiões poucas são as espécies moleculares que não congelam na superfície dos grãos de poeira.

Outras importantes descobertas feitas com a ajuda do APEX incluem a observação de Carbono atómico na famosa região dos Pilares da Criação da Nebulosa da Águia (M16), o estudo do núcleo de uma região de formação estelar constituído por estrelas de grande massa, e o estudo do material ejectado a atla velocidade por um objecto YSO. Também foram levados a cabo estudos de regiões moleculares na galáxia anã NGC 6822 e de formação estelar na galáxia NGC 253.

Para além dos estudos astronómicos, o APEX também tem sido palco para novas aplicações técnicas de engenharia e de informática. Os receptores e espectrómetros usados foram desenvolvidos pelo Instituto de Radioastronomia Max Planck, em Bona (Alemanha) e pela Universidade Sueca de Chamers. Já o receptor de 0.2 mm foi desenvolvido pela Universidade de Colónia (Alemanha).

O APEX foi construído para trabalhar no submilimétrico entre os 0.2 e os 1.5 mm. Está colocado no plnalto de Chajnantor, no deserto chileno do Atacama, a 5.100 metros de altura e é um projecto conjunto do Instituto de Radioastronomia Max Planck, do ESO e do Observatório Espacial de Onsala (Suécia)

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2006/pr-24-06.html

1. O telescópio APEX. (©ESO) 2. O APEX no planalto de Chajnantor. (©ESO)