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23 junho 2006

A constelação austral do Tucano é conhecida por ser a casa da Pequena Nuvem de Magalhães, uma das galáxias satélites da Via Láctea. No entanto, esta constelação também alberga um famoso enxame globular de estrelas o 47 Tucanae ou 47 Tuc ou NGC 104 - cujo brilho e dimensão é apenas ultrapassado por um outro enxame de estrelas, o Omega Centauri.

Os enxames globulares são gigantescas famílias de estrelas, constituídos por algumas dezenas de milhares de estrelas, que, a partir da mesma nuvem de gás, terão nascido mais ou menos ao mesmo tempo. Por tudo isto, os enxames globulares de estrelas são laboratórios únicos que permitem aos astrónomos estudar como as estrelas evoluem e interagem. Porque se encontram à mesma distância, o brilho de estrelas de tipos diferentes, que se encontram em diferentes fases da sua evolução pode ser comparado directamente.

As estrelas nos enxames globulares mantêm-se juntas através da sua própria gravidade. É a atracção gravítica que exercem umas sobre as outras que dá ao enxame a sua forma esférica de globo daí o nome enxame globular. Os enxames globulares serão dos objectos mais antigos da Via Láctea, contendo por isso algumas das mais velhas estrelas de pequena massa da galáxia.

O 47 Tuc é um enxame globular impressionante, que é inclusivamente visível a olho nu no céu a sua grandeza visual é 4. Este enxame foi descoberto a 14 de Setembro de 1751 pelo astrónomo francês Nicholas Louis de Lacaille, que o catalogou na sua lista de objectos nebulosos do céu austral. Localizado a cerca de 16.000 anos-luz de distância, a massa deste enxame é cerca de 1 milhão de vezes superior à do Sol e o seu diâmetro é de 120 anos-luz o que faz com que este enxame tenha no céu uma dimensão semelhante à da Lua Cheia!

A imagem do enxame 47 Tuc, que vemos na figura 1, foi obtida em 2001 com o instrumento FORS1 que se encontra instalado no Observatório VLT (ESO). Na imagem vemos apenas a região mais densa e central do enxame. A total extensão do enxame é 4 vezes superior. Ao olhar para a imagem facilmente percebemos que a densidade de estrelas diminui à medida que nos afastamos do centro do enxame. Especialmente fáceis de detectar são as estrelas gigantes vermelhas que consumiram todo o hidrogénio que existia nos seus núcleos e aumentaram o seu tamanho.

O 47 Tuc é tão denso que nele existem estrelas separadas por menos de um décimo de ano-luz, que é aproximadamente a dimensão do Sistema Solar. Por comparação a estrela mais próxima do Sol, Proxima Centauri, encontra-se a 4 anos-luz de distância. Esta densidade proporciona o "encontro" das estrelas umas com as outras, o que pode desencadear um "acasalamento" de estrelas ou a troca de estrelas entre binários. Estes processos dinâmicos estão na origem de muitos objectos exóticos que podem ser encontrados neste enxame.

O enxame 47 Tuc contém cerca de 20 pulsares de milisegundos estrelas de neutrões que rodam sobre si mesmo entre centenas a milhares de vezes por segundo. Pensa-se que os pulsares de milisegundos terão por companheiro um objecto do qual recebem matéria.

Recentemente o Telescópio Espacial Hubble observou o enxame 47 Tuc, em busca de planetas que orbitam muito próximo das suas estrelas. Esta pesquisa mostrou que estes "Júpiteres Quentes" serão muito menos comuns no 47 Tuc do que em estrelas vizinhas do Sol. Isto parece indicar que a densidade do enxame não será muito propícia para a existência de planetas a uma distância tão curta das suas estrelas, ou então que o processo de formação de planetas no início da história da nossa galáxia seria diferente do que é agora.

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2006/pr-20-06.html

O enxame globular 47 Tucanae. (©ESO - FORS/VLT)