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16 fevereiro 2006

Quase todos os elementos que existem no Universo tiveram origem no núcleo das estrelas. As reacções nucleares que tem lugar no interior das estrelas produzem os elementos químicos que são mais pesados que o hidrogénio e o hélio. Estes elementos mais pesados são, por uma questão de simplificação, denominados "metais" pelos astrónomos.

Se estimarmos quantas estrelas se terão formado desde o início do Universo poderemos determinar a quantidade de metais produzida desde então. Este raciocínio, aparentemente simples e directo, desde há vários anos que se confronta com uma contradição: se realmente somarmos a quantidade de metais observada hoje em objectos distantes o valor ao qual chegamos é muito menor do que o previsto!

No entanto, o estudo de objectos longínquos está longe de ser uma tarefa simples. Quanto mais longe se encontra uma galáxia, menos brilhante será e algumas, as menos luminosas e mais pequenas, nem sequer se conseguem observar. Isto quer dizer que ao observarmos galáxias que se encontram muito longe provavelmente só conseguimos detectar as maiores ou mais activas, e esta "amostra" parcial influencia o cálculo quantitativo de elementos pesados que existe no Universo.

Para ultrapassar este problema e estudar as galáxias mais longínquas, os astrónomos aproveitam os quasares que são os objectos mais distantes e luminosos que conhecemos. Nuvens de gás interestelar de galáxias que se encontrem na mesma linha de visão que o quasar podem absorver parte da luz emitida por ele. O espectro resultante desta "mistura" apresentará linhas de absorção que identificam elementos bem conhecidos. Assim, é possível calcular a quantidade de metais existente nestas galáxias que, de outra forma, seriam perfeitamente invisíveis.

Com a ajuda do espectrógrafo de alta resolução UVES, que está instalado no telescópio de 8.2 metros Kueyen do VLT (Paranal, Chile), uma equipa de astrónomos liderada por Celine Peroux (ESO), observou o quasar SDSS J1323-0021, que se encontra a 9 mil milhões de anos-luz de distância. O espectro observado apresenta regiões de absorção que se justificam pela presença de uma nuvem de hidrogénio rica em metais que se encontre entre nós e o quasar, a 6.3 mil milhões de anos-luz. Após uma cuidada análise do espectro, a equipa determinou que nesta região existe uma quantidade de zinco quatro vezes superior há que existe no Sol, e que outros metais, como o ferro, aparentemente estarão condensados sob a forma de poeiras.

Esta é a primeira vez que se detecta uma tão elevada quantidade de metais num objecto tão longínquo. "Se um grande número de galáxias invisíveis com uma tão grande quantidade de metais fosse detectado, o problema dos metais desaparecidos seria consideravelmente suavizado, afirmou Celine Peroux. O resultado desta investigação será em breve publicado pela Astronomy and Astrophysics.

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2006/pr-06-06.html

Detecção de metais em galáxias “invisíveis”. (©ESO – John Webb)