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16 janeiro 2006

Com a ajuda do observatório espacial Integral (ESA) uma equipa internacional de investigadores foi capaz de confirmar que o elemento radioactivo Al 26 (isótopo 26 do alumínio) é produzido em estrelas de grande massa e explosões de supernova, que ocorrem um pouco por toda a galáxia. Através desta descoberta, a equipa foi mais além e determinou qual a frequência com que ocorrem supernovas na Via Láctea.

Tudo aquilo que nos rodeia, e mesmo a matéria que nos compõe, é constituída por elementos químicos, que se formaram através de reacções de fusão nuclear que têm lugar no interior das estrelas e em explosões de supernovas. O processo de síntese nuclear leva à emissão de radiação muito energética, como é o caso da radiação gama. É esta radiação, que facilmente chega até nós vinda de todos os cantos da Via Láctea, que o Integral detecta desde Outubro de 2002.

A equipa de investigadores, liderada por Roland Diehl, do Instituto Max Planck de Física Espacial (Garching, Alemanha), através de dados obtidos pelo Integral, foi capaz de medir, ao longo do plano da galáxia, nas regiões mais interiores, a emissão de raios gama do Al 26. Tendo em conta que o disco da nossa galáxia orbita em torno do seu eixo central, as regiões mais interiores da Via Láctea orbitam mais rapidamente. Deste modo a radiação gama observada, proveniente do decaimento do Al 26, deveria ser moderada devido ao característico efeito Doppler. Este padrão característico foi realmente observado nos dados obtidos pelo Integral.

A partir destes dados a equipa descobriu que os raios gama emitidos pelo decaimento do Al 26, parecem realmente chegar até nós vindos das regiões mais interiores da galáxia, e não das mais afastadas do centro (como a nossa) na mesma linha de visão, onde também poderiam ter origem devido a fenómenos peculiares. No entanto, estas regiões não teriam uma velocidade relativa tão elevada como a observada.

Através destas novas observações e consequentes resultados foi possível estimar a quantidade total de Al 26 existente na Via Láctea, e ela é equivalente a 3 massas solares. Isto é bastante, pois o Al 26 é um isótopo extremamente raro. Estima-se que, aquando da formação do Sistema Solar, a fracção de Al 26 seria de 5/100.000 em relação ao isótopo de alumínio mais estável, o Al 27.

Como a fonte mais provável de Al 26 serão estrelas de grande massa que terminam a sua vida como supernovas, é possível estimar qual a frequência com que ocorrem estas explosões, sabendo a actual quantidade total de Al 26. Assim, ocorrerá uma supernova a cada 50 anos. Este resultado parece ser consistente com o obtido através de observações indirectas de outras galáxias e consequente comparação com a Via Láctea.

A detecção de radiação gama pelo Integral continuará nos próximos anos. Os astrónomos esperam com o tempo conseguir melhorar a precisão dos instrumentos do observatório para assim obterem ainda melhores resultados.

Para mais informações
http://www.esa.int/esaCP/SEMGPQ0VRHE_index_0.html

1. O decaimento do Al 26. (©MPE) 2. Desvios Doppler na radiação gama provocados pela rotação da galáxia. (©MPE)