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20 junho 2012

A Agência Espacial Europeia (ESA) deu hoje luz verde à construção da missão espacial Euclid. Este telescópio espacial, de 1,2 metros de diâmetro, irá fazer um levantamento de 40% do céu com detalhe sem precedentes. Isto irá permitir aos astrónomos detetar de cerca de 2 mil milhões de galáxias, que servirão para mapear a distribuição espacial da enigmática matéria escura e a evolução da energia escura nos últimos 10 mil milhões de anos (3/4 da idade do Universo).

O consórcio Euclid, liderado por Yannick Mellier (Institut d'Astrophysique de Paris), tem a seu cargo a coordenação científica da missão. Este representa a maior colaboração internacional alguma vez criada em Astronomia, com cerca de 1000 investigadores, oriundos de 13 países da Europa e dos EUA. Em Portugal tem como afiliados o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) e o Centro de Astronomia e Astrofisica da Universidade de Lisboa (CAAUL).

O investigador do CAAUL Ismael Tereno comenta: “O tamanho da equipa mostra o grande interesse na ciência do Euclid. De facto, a missão foi desenhada para responder a questões fundamentais como: porque está o Universo a expandir de forma acelerada, em vez de travar por ação da atração gravitacional da matéria nele contida?”

Ao consórcio Euclid cabe também a construção dos instrumentos e parte da estrutura de análise de dados. O investigador do CAUP António da Silva diz: “Estamos atualmente envolvidos num aspeto central da preparação da missão. Trata-se do desenvolvimento de simulações de estratégias de observação, para definir a sequência ótima de observações que irá ser seguida pelo telescópio espacial quando estiver em atividade. Esta é a primeira vez que institutos nacionais participam formalmente, com tarefas deste relevo, no consórcio científico de uma missão implementada pela ESA”.

O envolvimento do CAUP e do CAAUL na construção da missão possibilita desde já que investigadores de qualquer instituto de investigação nacional se possam candidatar a participar na sua exploração científica e tecnológica. Tereno acrescenta por isso que “a missão irá produzir um enorme conjunto de imagens de alta precisão de todo o tipo de objetos astrofísicos. É portanto compreensível que toda a comunidade científica queira participar da multiplicidade de dados muito diversificados que se avizinha.”

A missão Euclid tem lançamento previsto para 2020.

Mais informações:
Comunicado de imprensa ESA

A matéria escura é um tipo de matéria que não emite nem absorve radiação em qualquer parte do espetro eletromagnético. Apesar de, por isso, não poder ser detetada diretamente por telescópios, a sua gravidade provoca efeitos detetáveis na matéria visível. A Matéria escura deverá constituir cerca de 23% de tudo o que compõe o Universo, enquanto a matéria “normal” corresponde a apenas 4%.

A energia escura é uma misteriosa força que se opõe à atração gravitacional, e que provoca a expansão acelerada do Universo. A energia escura corresponderá a 73% de tudo o que compõe o Universo. A descoberta desta aceleração cósmica, em 1998, foi premiada em 2011 com o Prémio Nobel da Física.

Contactos:
António da Silva (Cocoordenador da participação portuguesa - CAUP)
Ismael Tereno (Cocoordenador da participação portuguesa - CAAUL)
Yannick Mellier (Coordenador do consórcio Euclid - Institut d'Astrophysique de Paris)
Bob Nichol (Coordenador de comunicação do consórcio Euclid - ICG, University of Portsmouth)

1. Imagem artística do telescópio espacial Euclid (ESA/C. Carreau) 2. Foto da maioria dos investigadores do consórcio Euclid (Bjarne Sørensen / Space Science Center)